segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Samba Enredo da "Unidos do Proletariado" na Avenida dos Trabalhadores: O dia em que o morro descer e não for carnaval





dia  em que o morro descer e não for carnaval
(Wilson das Neves / Paulo César Pinheiro) 



O dia em que o morro descer e não for carnaval
ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu
vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil
(é a guerra civil)


No dia em que o morro descer e não for carnaval
não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral
e cada uma ala da escola será uma quadrilha
a evolução já vai ser de guerrilha
e a alegoria um tremendo arsenal
o tema do enredo vai ser a cidade partida
no dia em que o couro comer na avenida
se o morro descer e não for carnaval



O povo virá de cortiço, alagado e favela
mostrando a miséria sobre a passarela
sem a fantasia que sai no jornal
vai ser uma única escola, uma só bateria
quem vai ser jurado? Ninguém gostaria
que desfile assim não vai ter nada igual

Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga
nem autoridade que compre essa briga
ninguém sabe a força desse pessoal
melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria
senão todo mundo vai sambar no dia
em que o morro descer e não for carnaval




domingo, 4 de fevereiro de 2018

A Condenação de Lula: Decifram-me ou Devoro-te.


Postamos aqui uma excelente análise da conjuntura política escrita por Mauro Iasi para o blog da Boitempo. Boa leitura.


E agora? É hora de chutar o tabuleiro!


"Marx disse certa vez que não se deve brincar com a insurreição se não quiser levá-la até as últimas consequências. Ao que parece o lulopetismo espera que as massas garantam que Lula não seja preso e dispute as eleições, mas que depois saiam de cena para que tudo volte aos trilhos da normalidade para que se possa remendar o pacto social esgarçado pelo golpe."


Publicado em 26/01/2018
















Gleisi Hoffann, senadora e atual presidente nacional do PT, e Lula anunciam a pré-candidatura do ex-presidente um dia após sua condenação em segunda instância. 25/01/2017 (Nelson Almeida/AFP)



Por Mauro Iasi.



A confirmação da condenação de Lula seguiu o script esperado. Apesar da inconsistência de provas, fatos e fundamentos jurídicos, era necessário retirar o ex-presidente da disputa eleitoral de 2018 e seguir com um governo cuja única lealdade é com as contrarreformas e os interesses do grande capital. O fim da democracia de cooptação operada pelos governos petistas abriu espaço para a barbárie explícita e a canalhice que presenciamos, política, jurídica, cultural e comunicacional.

Os pesados ataques contra os trabalhadores, em especial a reforma trabalhista e a ameaça da reforma da previdência, não tiveram a resposta necessária porque o petismo e seus aliados ainda esperavam a “marcha dos acontecimentos” que desembocaria nas eleições de 2018, ainda que programaticamente isso não garantisse a reversão das medidas aprovadas até aqui. Com a condenação de Lula a conjuntura muda radicalmente em dois sentidos.

Primeiro que a aposta nas eleições se transforma em um desafio aberto a legalidade institucional estabelecida, uma vez que a manutenção da candidatura do ex-presidente se torna uma desobediência civil. Segundo que as frágeis aparências de normalidade institucional podem se esvanecer rapidamente e abrir espaço para medidas políticas mais duras de parte da classe dominante e do seguimento usurpador no comando do Estado.
Nesse cenário, a combinação de espaços institucionais estabelecidos e ações por fora e além da legalidade ganha relevo para os dois lados envolvidos na disputa. Da parte das classes dominantes, isso não é uma novidade, porque diferente de certo setor da esquerda, a classe dominante nunca acreditou na institucionalidade democrática e sempre a utilizou pragmaticamente segundo seus interesses. O Estado trata a todos de forma igual perante a lei, mas nada que uma mala de dinheiro e um lobby eficiente não possam contornar. A burguesia pode operar no terreno da democracia porque tem os instrumentos de coerção do Estado e do domínio econômico à sua disposição. Assim, pode alternar formas democráticas e autoritárias com mais eficiência, o que não se dá com os trabalhadores.

Quando uma força política escolhe operar nos limites da institucionalidade, fica muito difícil romper e operar com formas abertamente insurgentes. A única força política que pode criar as condições para tanto é a disposição das massas em romper a legalidade no sentido da rebelião. Como todo bom leitor de Lênin sabe, esta é uma condição objetiva – isto é, não está ao alcance desta ou daquela força política colocar as massas em movimento, de certa forma elas reagem a uma determinada situação política.
O que a burguesia talvez tenha feito, inadvertidamente ou não, é dar o pretexto para que as massas entrem em cena numa dimensão que pode ir além da institucionalidade dada. Entretanto, neste ponto intervém a intencionalidade política dos sujeitos. Marx disse certa vez que não se deve brincar com a insurreição se não quiser levá-la até as últimas consequências. Ao que parece o lulopetismo espera que as massas garantam que Lula não seja preso e dispute as eleições, mas que depois saiam de cena para que tudo volte aos trilhos da normalidade para que se possa remendar o pacto social esgarçado pelo golpe. De certa maneira a rebelião das massas se converte em um instrumento de chantagem ou ameaça para que os segmentos burgueses caiam em si e aceitem renegociar os termos do pacto.

Esse é um jogo perigoso. Primeiro porque não se deve blefar quando se trata de uma política revolucionária que se pretenda séria. Parece que não se convoca as massas para que a classe trabalhadora estabeleça as condições de seu próprio poder, mas para que garanta a correlação de forças para que se recomponha as condições que marcaram a conciliação de classes que prevaleceu até 2016. O grande problema dessa alternativa é que o petismo se assusta mais com a rebelião das massas do que a burguesia: não há lugar para a insurreição na estratégia democrática popular e o PT não sabe o que fazer quando ela se apresenta, como ficou evidente em 2013. Por outro lado, a burguesia tem meios jurídicos, políticos e repressivos para enfrentar um descontrole social – alguns desses instrumentos, aliás, gentilmente oferecidos pelos governos petistas como a manutenção da Lei de Segurança Nacional, a Portaria Normativa que estabelece as Operações da garantia da Lei e da Ordem de dezembro de 2013 e a Lei Antiterrorismo, só para citar alguns dispositivos –, além, é claro, de um sistema judiciário que se emancipou da tutela incomoda do Direito e da Justiça.

Portanto, trata-se de definir até onde as forças políticas estão dispostas a tencionar a legalidade. Estou convencido de que a burguesia mantém suas apostas, mesmo se for necessário romper (como tem feito no governo do usurpador) qualquer base legal, política e institucional. O PT está disposto a fazer o mesmo? Não sei.

Quais são os próximos passos indicados pelo o segmento dominante? Tentar tocar as eleições sem Lula, diante do risco da extrema direita e da ausência de uma candidatura que possa retomar a estabilidade que a burguesia precisa, ou, cancelar as eleições e constituir alguma espécie de transição, uma junta provisória que prepare as condições políticas de uma alterativa mais estável nos termos da ordem, como o semi-presidencialismo, o parlamentarismo ou outra forma qualquer.
Volto a dizer: a burguesia pode cancelar as eleições de 2018. E pergunto: as forças populares estão dispostas a colocar o enfrentamento diante das contrarreformas e o arbítrio burguês acima das eleições, inclusive agindo no sentido de inviabilizá-las?

O ponto obscuro é o próximo passo do petismo. Será que ele está mesmo disposto a resistir e enfrentar a decisão judiciária com todos os meios necessários, ou é mais um blefe? A moderada e elegante presidente nacional do PT afirmou recentemente que a única maneira de reagir à consolidação de um cenário político no qual Lula vai preso e é impedido de disputar as eleições é a greve geral. Vejam vocês! A esquerda já sabia que a única maneira de evitar a consolidação do golpe contra os trabalhadores, a reforma trabalhista e da previdência é a greve geral, mas o PT discordava disso, pois acreditava que existia outra possibilidade: a candidatura de Lula. Agora que essa alternativa saiu de cena… então, vamos à greve!

Marx e Engels, em um famoso texto de 1850, diziam que os trabalhadores não podem evitar que a pequena burguesia aja como o segmento social vacilante que está condenado a ser, mas os trabalhadores devem, em suas palavras, “agir no sentido de contrapor-se às dissuasões burguesas” contemporizadoras e “obrigar os democratas a concretizar o seu fraseado terrorista atual” (“Mensagem do Comitê Central à Liga [dos comunistas]”, em: Karl Marx e Friedrich Engels, Lutas de classes na Alemanha, Boitempo, 2010, p. 67). Querem um Greve Geral? Certo, então vamos fazê-la até que as medidas contra os trabalhadores sejam revogadas e até que o governo Temer caia. Aí discutiremos o que fazer. Certamente alguns irão propor que tudo volte ao “normal” e que volte a se convocar eleições “limpas” (como as de 2014, na qual o financiamento privado jogou R$ 5 bilhões nas mais diferentes candidaturas, menos nas do PCB, do PSTU e do PCO). Nós manteremos nossa proposta de estabelecer um Poder Popular Revolucionário fundado em uma nova forma de governabilidade na classe trabalhadora da cidade e do campo, na juventude e nas massas urbanas.

Não importa agora que uns se mobilizem em torno de um líder cujos interesses no fundo, ao nosso juízo, são contrários aos da classe trabalhadora porque quer recompor o pacto desfeito. Neste momento se produz uma aproximação interessante na qual o interesse do lulopetismo em enfrentar a decisão que tira Lula das eleições coincide com o interesse da esquerda em enfrentar as contrarreformas reacionárias com uma Greve Geral. Se os interesses forem os mesmos (derrotar o governo Temer e suas contrarreformas), ótimo! Caso contrário, os caminhos se bifurcarão e nós, como temos feito, pegaremos a caminho da esquerda.

***
Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Poema aos Tempos de Febre Amarela, Dengue, Aumento da Concentração de Renda, Temer, Impunidade dos Exploradores, Justiça Parcial e outras Paralisias Adultas



Canção de Saída


Se não tens o que comer
Como pretendes defender-te?
É preciso transformar
Todo o Estado
Até que tenhas o que comer.
E então serás teu próprio convidado.


Quando não houver trabalho para ti
Como terás de defender-te?
É preciso transformar
Todo o Estado
Até que sejas teu próprio empregador.
E então haverá trabalho para ti.


Se riem de tua fraqueza
Como pretender defender-te?
Deves unir-te aos fracos.
E marcharem  todos unidos.
Então será uma grande força.
E ninguém rirá.



Bertold Brecht

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Pablo Vitar e Tiffany: Outra Vez a Questão da Ideologia de Gênero



Em tempos de polêmica sobre a Educação de Gênero, Pablo Vitar na música e  Tiffany no vôlei, reascendem o debate. O festival de besteiras que são comuns nas redes sociais, nas rodas de conversas, no Congresso Nacional, etc, enfim, em todas as esferas da sociedade, pede informação para auxiliar o debate. Por isto, compartilhamos o esclarecedor artigo do Professor Marcos Francisco, pulicado na Revista Espaço Acadêmico (REA). 

Você pode achar estranho que o artigo não trate diretamente dos personagens citados, mas ele é perfeito para entendermos a polêmica. Esperamos assim contribuir para que o debate seja produtivo e 
ajude a combater o preconceito e a ignorância sobre o tema. Quem sabe 
assim vamos nos tornando seres humanos melhores.



Sexo é uma coisa e gênero outra
MARCOS FRANCISCO MARTINS*

 Tenho recebido vídeos com pessoas religiosas criticando o que chamam de “ideologia de gênero”. Tenho respondido que conheço e convivo com a comunidade LGBT e nunca li e nem vi gay defendendo o fim da família, mas pedindo respeito aos diferentes tipos de união, como a formada por dois homens e duas mulheres. Dia desses, uma aluna estava a me contar uma “história linda”, nas palavras dela: o cara com quem estava “ficando”, ajoelhou-se frente a ela, durante um festival universitário, e a pediu em namoro, com alianças nas mãos. Sabe por quem ele foi criado? Por uma família! Mas família formada por duas mulheres!
Seria ridículo duvidar que “homem nasce homem e mulher nasce mulher” (frase repetida nos vídeos), pois isso é incontestável não só para religiosos, mas também para a biologia. Quando alguém fala isso está se referindo ao “sexo” (feminino e masculino) e não ao “gênero”. Sexo é uma coisa e “gênero” outra! “Sexo” refere-se aos atributos físico-biológicos, às funções do organismo: só o “homem” pode inseminar a “mulher”! “Gênero” diz respeito a como se vê o próprio corpo e como lida com ele. Eu tenho amigos que são do “sexo” masculino, mas preferem se vestir, ter gestos e comportamentos ligados ao “sexo” feminino. E são felizes assim… até que alguém tenta impor a eles outro “gênero”!
Nasce-se com o “sexo” (masculino/feminino), mas a orientação em relação ao “gênero”, que será assumida ou não, é formada pelo complexo que envolve questões biológicas, sociais, culturais, psicológicas, religiosas, morais etc. Academicamente, isso é traduzido na frase: “‘Gênero’ é uma construção social!”. “Gênero” envolve coisas complicadas como gostos e desejos em relação a mim mesmo e às outras pessoas. Eu, por exemplo, gosto da Ponte Preta, mas é difícil explicar como isso surgiu em mim. Alguém acha que simplesmente escolhi torcer para a Ponte? Não! Esse desejo surgiu em mim. E eu sofro com isso, mas sou feliz, mesmo torcendo para esse time, que parte das pessoas não gostam. Quem tem um “gênero” que difere do “sexo” com o qual nasceu, também sofre, porque amigos, parentes, pastores … querem lhe impor desejos que não são deles. Já pensou alguém me dizendo: “Professor, torcer para a Ponte Preta está errado; você tem que gostar do Guarani!”. Posso até me calar no momento, caso alguma coisa que fale resulte em agressão, mas a imposição não mudará o meu desejo. O meu desejo é incontrolável!
Na sociedade em que vivemos, quem assume que tem outra orientação de “gênero” sofre com intensidade e, em muitos casos, é violentado física e psicologicamente. Veja as inúmeras reportagens disponíveis sobre isso na Internet.
Sempre me preocupei com o mundo, mas o que tem me assustado, ultimamente, é que, com a internet, muitos falam de coisas que desconhecem, falam sem propriedade e são seguidos por outros, que espalham ainda mais o que foi dito. Veja, por exemplo, essa reportagem sobre o ridículo da ignorância: “Polenguinho é atacada após post sobre Pink Floyd ser confundido com arco-íris LGBT”. É o mundo da “pós-verdade” (mentira tão espalhada, que é assumida como verdade), que chegou a eleger o atual presidente dos EUA.
Se há professor que tenta impor determinado “gênero” às crianças, ele deve ser reprovado, até porque não terá sucesso, pois “gênero” não se impõe: é uma “construção social”. Todavia, considero uma das tarefas mais importantes da escola ensinar as crianças a respeitar as pessoas como elas são, mesmo que sejam diferentes. Nos casos recorrentes de o professor saber que determinado aluno(a) está sendo maltratado pelos colegas, por outros docentes, pelos irmãos de fé e até pela família, porque está manifestando determinada orientação de “gênero”, é papel do professor acolher o aluno(a) e dar-lhe a possibilidade de viver em sala de aula de maneira digna, sendo respeitado(a), sem ser agredido(a).
Enfim, como os vídeos envolvem religiosos, posso dizer que, pelo meu espírito cristão, eu penso que as pessoas devem ser condenadas por muitas coisas, menos por amar outra, seja ela do mesmo “sexo” ou não. A propósito, isso, ao meu juízo, foi uma das principais mensagens deixadas por Jesus Cristo, creia-se nele ou não.
MARCOS FRANCISCO MARTINS é professor da UFSCar. E-mail: marcosfranciscomartins@gmail.com





domingo, 24 de dezembro de 2017

O Racismo é uma bobagem 3: Liberdade não se dá, a gente mesmo conquista,



Liberdade não se dá, a gente mesmo conquista, a Lei Áurea foi exigência do mundo capitalista”. Este refrão de um samba muito bonito e muito o pouco conhecido no Brasil, revela a mensagem central dos filmes que compartilhamos em nosso blog, como parte da série, o “Racismo é uma bobagem”. 

Cansados de esperar do sistema a solução dos seus problemas, os negros resolvem ser protagonistas. Descobrem que é possível construir o futuro a partir de ações no presente, que o primeiro ato para a eliminação definitiva do racismo, depois de começar a agir, é organizar uma nova sociedade na qual quem produz e governa são os mesmos.


Bons filmes a tod@s!


PANTERAS NEGRAS



Oakland, Califórnia, 1967. Huey Newton (Marcus Chong) e Bobby Seale (Courtney B. Vance) são amigos, que formam um novo partido dedicado em proteger os negros das violentas arbitrariedades dos policiais brancos. O Partido dos Panteras Negras de Autodefesa dá almoço grátis para as crianças, educa a comunidade afro-americana em se conscientizar dos seus direitos, faz o que pode para tirar das ruas os traficantes de drogas e enfrenta a polícia de Oakland (que é extremamente racista) quando desrespeita os direitos civis dos negros. O partido faz tudo isto sem transgredir alguma lei. Logo brancos conservadores começam se sentir incomodados e planejam se livrar desta "ameaça", mesmo que tenham de desrespeitar a lei.


Elenco:

Kadeem Hardison (Juiz) 
Bokeem Woodbine (Tyrone) 
Joe Don Baker (Brimmer) 
Courtney B. Vance (Bobby Seale) 
Tyrin Turner (Cy) 
Marcus Chong (Huey Newton) 
Anthony Griffith (Edridge Cleaver) 
Bobby Brown (Rose) 
Angela Bassett (Dra. Betty Shabazz) 
Nefertiti (Alma) 
James Russo (Rodgers) 
Jenifer Lewis (Rita) 
Chris Rock (Yuck Mouth) 
Roger Guenveur Smith (Pruitt) 

Duração: 121 minutos
Direção: Mario Van Peebles
 

CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR!




QUEIMADA!


Em 1845, numa ilha do Caribe que tem o nome de Queimada, desembarca um agente britânico, William Walker (Marlon Brando). Intelectualizado, bem-falante, ele fomenta na população de escravos a idéia da revolução contra os colonizadores portugueses. Encontra até a figura ideal de um líder para moldar, o estivador José Dolores (Evaristo Marquez), a quem incita inclusive a roubar um banco para financiar a rebelião. Um outro rebelde, o funcionário de hotel Teddy Sanchez (RenatoSalvatori) será levado a assassinar o governador local, facilitando a tomada do poder pelos revolucionários.
Uma vez no comando, o novo governo descobre os limites de seu poder. O agente Walker era, na verdade, um homem a serviço do Almirantado Britânico e de industriais açucareiros ingleses, que apenas procurava tirar os colonizadores portugueses do caminho.
Agora, os empobrecidos novos governantes descobrirão que não têm alternativa senão vender o açúcar, principal produto da ilha, aos ingleses, em condições desvantajosas.
Dez anos depois, Walker e Dolores estarão de novo frente a frente, quando o segundo decide liderar uma nova revolução e o inglês volta para sufocá-la - nem que para isso tenha de queimar novamente toda a ilha e aniquilar a população, como fizeram os portugueses ali, em 1520. Este episódio da queimada referia-se a fatos reais, ocorridos no Caribe, só que cometidos por colonizadores espanhóis. 


Elenco:

Marlon Brando ... Sir William Walker
Evaristo Márquez ... Jose Dolores
Norman Hill ... Shelton
Renato Salvatori ... Teddy Sanchez

Duração: 115 minutos

Direção: Gillo Pontecorvo




A NEGAÇÃO DO BRASIL



O documentário é uma viagem na história da telenovela no Brasil e particularmente uma análise do papel nelas atribuído aos atores negros, que sempre representam personagens mais estereotipados e negativos. Baseado em suas memórias e em fortes evidências de pesquisas, o diretor aponta as influências das telenovelas nos processos de identidade étnica dos afro-brasileiros e faz um manifesto pela incorporação positiva do negro nas imagens televisivas do país.


Duração: 90 minutos
Direção: Joel Zito Araújo 




GANGA ZUMBA



O filme começa num engenho de cana-de-açúcar, no nordeste brasileiro, entre os séculos XVI e XVII. Inspirados pelo Quilombo dos Palmares, uma comunidade de negros fugidos da escravidão, situada na Serra da Barriga, alguns escravos tramam a fuga para lá. Entre eles, se encontra o jovem Ganga Zumba, futuro líder daquela república revolucionária, a primeira de toda a América.


Elenco:

Antonio Pitanga (Ganga Zumba)
Léa Garcia (Cipriana)
Eliezer Gomes (Anoroba)
Luiza Maranhão (Dandara)
Antônio Andrade
Zózimo Bulbul
Jorge Coutinho
Dona Zica da Mangueira
Cartola
Paulo Emílio Sales Gomes

Duração: 92 minutos
Direção: Cacá Diegues



(Para assistir aos filmes do blog é necessário criar uma conta gratuita no V.K: www.vk.com).


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O Racismo é uma bobagem 2: “Ganhar dos argentinos é mais gostoso?” Quer fazer o teste de DNA?



Ver o “curta metragem” que o NORTE publica hoje, é absolutamente necessário, importantíssimo, nestes tempos de Dejavu, nos quais vemos o fascismo e o nazismo reaparecerem com todas as letras. Neste Documentário, Cientistas convidam pessoas de países e etnias e continentes que são rivais históricos a fazer o teste de DNA: O resultado é surpreendente. Confira.

 “Ganhar dos argentinos é mais gostoso?” Quer fazer o teste de DNA?

Recentemente, em agosto deste ano, uma passeata do “orgulho branco” nos Estados Unidos chamou atenção mundo a fora, com as palavras de ordem “Sou nazista, sim” declarando seu ódio escancarado aos judeus, imigrantes, homossexuais e negros, ainda mais depois da defesa ‘do direito’ dos racistas de manifestarem seu aberto preconceito étnico ter sido feito pelo protofascista Donald Trump, atual presidente daquele país, no qual é notória a perseguição aos imigrantes, principalmente aos  latinos, chamados pejorativamente de cucarachas (baratas), o muro de Tijuana na fronteira com o México é a prova viva da institucionalização do que estramos afirmando. Os árabes padecem do mesmo preconceito e ainda recebem tratamento “diferenciado” da polícia devido a uma espécie de “guerra fria” contra o mundo árabe e a associação deste povo hospitaleiro ao terrorismo feita pela indústria bélica daquele país que disseminou esta calunia e difamação mundo a fora por meio de Holllywood e de toda a imprensa, a rivalidade e o ódio entre árabes e judeus, do qual a Palestina é a maior testemunha aparece sempre na imprensa internacional que na maioria das  vezes tende a criminalizar os palestinos

Na Europa, os africanos, asiáticos padecem do mesmo preconceito e racismo que infesta os Estados Unidos. As rivalidades regionais também são muito comuns e antiquíssimas, tais como, eslavos e germanos, franceses e belgas, ingleses e franceses, alemães e turcos, sérvios e croatas, russos e poloneses, ucranianos e russos, na Ásia não é diferente na qual turcos e curdos, chineses e japoneses, sírios e libaneses, árabes e judeus, tutsis e hutus, travam conflitos históricos, muitas vezes terminando em guerras étnicas e genocidas, em nosso país um narrador esportivo, de forma aparentemente “inocente”  transformou em bordão a frase:” ganhar dos argentinos é mais gostoso.


Além dos históricos esforços das burguesias locais de unir pessoas tão diferentes em torno de seus ideais de nação, para garantir sua proteção e o monopólio do mercado interno ou pelo menos a hegemonia sobre ele, estes conflitos e rivalidades que resvalam pra violência e muitas vezes pra guerra aberta, são expressão do nacionalismo, mas principalmente do racismo e do preconceito étnico.